O procedimento é um método anticoncepcional para os homens. A cirurgia é simples, rápida e nem requer internação ou muitos cuidados no pós-operatório. Antes de optar por fazer uma vasectomia, o homem deve pensar cuidadosamente sobre quais informações gostaria de obter sobre o assunto. É importante para os casais que pensam nesta possibilidade procurarem orientação antes da realização do procedimento. Quanto mais souberem a respeito, maior a certeza de uma decisão correta e que deve ser considerada como definitiva. Mesmo podendo ser revertida em cerca de 50% dos casos, toda vasectomia deve ser considerada definitiva.

O que é

Vasectomia é uma cirurgia que interrompe a via por onde passam o sêmen e funciona e funciona como método anticoncepcional tido como definitivo, realizado por urologistas ou cirurgiões gerais para tornar um homem estéril. É um método comum de contracepção, considerado simples, seguro, eficaz e que dispensa internação. Há os rompimentos dos canais (ou dutos) responsáveis pelo transporte dos espermatozoides produzidos nos testículos até serem expelidos pelo pênis. O procedimento pode ser realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Consiste na realização de um corte no canal deferente, tubo que carrega esperma do testículo para se tornar parte do sêmen. É feita a secção bilateral de ambos os canais deferentes, utilizando uma via de acesso mínima. Após esta secção, as bordas criadas dos canais são ligadas (amarradas) ou então eletrocauterização (é um procedimento seguro e utilizado de forma rotineira em cirurgias para queimar os tecidos indesejáveis ou nocivos), para minimizar o risco de recanalização, pois o organismo tentará curar a “lesão”. Embora o homem continue a ter relação sexual e ejaculação como antes do procedimento, seu sêmen não vai ter esperma. Consequentemente, ele não será mais capaz de engravidar uma mulher.

Quem pode fazer a cirurgia?

O método pode ser realizado por homens que não queiram mais ter filhos. Pela lei, a partir dos 25 anos, com dois ou mais filhos, já é possível fazer uma vasectomia, mas os especialistas recomendam esperar até os 30 anos para que não seja feita uma esterilização precoce. Deve ser uma decisão conjunta do casal e após uma consulta com o urologista é possível retirar todas as dúvidas, conhecer as etapas da cirurgia e confirmar se o procedimento é a melhor opção para ambos.

Preparação

Os cuidados pré-operatórios são iguais aos de uma cirurgia simples: exames, avaliação cardiológica e, no dia do procedimento, o médico solicita um jejum de oito horas. Em geral é necessária a raspagem dos pelos da região. É importante seguir as orientações médicas para uma recuperação ideal após a cirurgia. Para realizar o procedimento cirúrgico deve-se aguardar 60 dias desde o primeiro dia da primeira consulta até a data da operação (isso é uma norma do Conselho Federal de Medicina).

Como é realizado o procedimento

Após a assepsia, o médico segura o ducto deferente entre seus dedos e o mobiliza. Depois, aplica-se anestesia local no ponto onde fará a abertura da pele (incisão) de cerca de 1,5 cm de um lado da bolsa escrotal. Pequeno trecho do canal deferente é colocado para fora da pele e é cortado. Retira-se um pedaço (cerca de 1 cm) do canal. Depois, cada extremidade remanescente é amarrada com fio cirúrgico e cauterizada com um bisturi elétrico, diminuindo as chances de vazamento de espermatozoides. Uma das bordas do canal é invertida, para que fique distante uma das outras. O objetivo é impossibilitar a recanalização. Após esta etapa, os ductos são recolocados na bolsa escrotal. A pele é fechada (dois a três pontos), e tudo é repetido no outro testículo. Alguns cirurgiões fazem apenas uma abertura na pele, numa área mais central. O procedimento leva de 15 a 20 minutos. O paciente coloca uma sunga ou um suspensório de bolsa escrotal para proteger o curativo.

Pós-operatório

Recomendam-se remédios para reduzir a dor e a inflamação, repouso de 48 horas e uso de compressas geladas, bem como evitar atividades físicas, carregar peso ou andar de bicicleta. O uso da sunga ou suspensório deve ser mantido por 30 dias. Os pontos não precisam ser retirados. O corte deve ser higienizado com solução tópica e ser coberto com uma gaze dobrada nos primeiros dias. Recomenda-se fazer a troca duas vezes por dia.

Riscos

Complicações são raras. Podem surgir inflamações, infecções, sangramentos e dor locais. Além disso, pode ocorrer a formação de hidrocele (acúmulo de líquido em torno dos testículos) e hematomas. Depois da cirurgia deve ter repouso sexual  (duas semanas) e são necessárias 20 ejaculações para que o sêmen armazenado seja eliminado. Após esse período o esperma será analisado para que o homem seja considerado estéril. Até lá, o uso de outros contraceptivos é indicado.

Como em qualquer outro procedimento cirúrgico, pode haver complicações, e você deve perguntar ao seu médico o que deve fazer nesta situação. Entretanto, qualquer tipo de vasectomia está entre as técnicas cirúrgicas mais seguras e a maioria das complicações, caso haja alguma, é habitualmente fácil de tratar. As complicações incluem:

  • Dor no local. Esta dor é tratada com sucesso por medicamentos, mas algumas vezes a remoção do epidídimo é recomendada.
  • Uma chance de infecção, sangramento e ferimento passageiros.
  • Formação de granuloma.
  • Edema temporário e acúmulo de líquidos.
  • Em raros casos, o canal deferente pode ter uma recanalização espontânea e o homem tornar-se fértil novamente. Isto acontece em menos de 1% dos casos e está relacionado à experiência do cirurgião e à técnica cirúrgica aplicada.
  • Existe uma complicação clássica da vasectomia, chamada Síndrome da Dor pós-Vasectomia, que pode ocorrer em 5% a 30% dos casos (dependendo da intensidade da dor), e consiste em dor crônica persistente.

O que acontece com o esperma?

Como os tubos são bloqueados antes da vesícula seminal e da próstata, o homem continua ejaculando a mesma quantidade de fluido, embora sem esperma. Os espermatozoides são formados nos testículos, que se dividem em inúmeros septos, e apresentam canais confluentes. No final destes, os espermatozoides atingem o epidídimo, que tem a função de maturação dos mesmos. Saindo do epidídimo, os espermatozoides entram no canal deferente, um tubo muscular que os leva até a próstata por contrações musculares. A próstata também recebe conexões das vesículas seminais, que têm a função de produzir o plasma seminal – uma espécie de sêmen sem espermatozoides. A próstata interconecta as duas vias, misturando o plasma seminal aos espermatozoides e desaguando na uretra, por onde geralmente são eliminados.

O corpo absorve as células espermáticas não usadas normalmente – se você fez ou não uma vasectomia. Depois do procedimento, os testículos continuam a produzir esperma, mas eles não deixam o corpo através do sêmen. Eles dissolvem-se e são simplesmente e naturalmente absorvidos pelo organismo.

Reversão da vasectomia

Embora difícil, há possibilidade de reversão. A capacidade fértil nunca mais será a mesma. A fabricação de espermatozoide é prejudicada. Quanto maior o tempo transcorrido após a cirurgia, menor a taxa de sucesso. Após dez anos, menos de 30% dos homens engravidam suas parceiras. A reversão é uma microcirurgia especializada. Na maioria dos caso há necessidade do uso de método de reprodução assistida.

Importante saber

A partir do dia 21 de julho de 2009, qualquer homem que quiser se submeter à cirurgia de esterilização masculina, a vasectomia, só poderá realizá-la com médicos que saibam fazer o processo de reversão, que também passa a ter cobertura pelos planos de saúde.

Segundo o médico urologista, Armando Abrantes, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), essa resolução do CFM (Normas éticas do Conselho Federal de Medicina) é uma resposta ao alto índice de arrependimento de homens que se submetem à vasectomia e depois tentam revertê-la. “Cerca de 15% a 17% dos homens que se submetem a esse procedimento acabam se arrependendo anos depois porque ficaram viúvos ou se separaram e constituíram uma nova família, decidindo ter mais filhos”.

Uma das preocupações da SBU é a banalização do procedimento médico: “Precisamos esclarecer a sociedade que vasectomia faz parte de um processo mais amplo do qual fazem parte a esterilização masculina e o planejamento familiar”, afirma Aguinaldo Nardi, urologista e diretor da SBU-SP.

Outra norma do Conselho é que depois de procurar o médico, o paciente deve esperar 60 dias para realizar a vasectomia. “O procedimento médico é simples, mas é uma questão séria, porque deixa o homem estéril”, alerta Abrantes.

Segundo o especialista, até a publicação da resolução, as vasectomias eram realizadas de forma indiscriminada e sem controle, mas a estimativa é que ocorram 500 mil operações por ano. “Até agora era feito de forma informal, nos consultórios médicos, sem notificação, porque não havia lei regulamentando”

Habilidade para reversão

Outro problema apontado pelos médicos é a capacidade técnica do médico que realiza a operação. Com as novas diretrizes, o médico que realizar o procedimento deve ter condições de revertê-lo. “A operação deve ser precisa. Um médico não habilitado pode seccionar (cortar) o canal deferente em qualquer lugar e fazer a esterilização, mas isso dificulta uma possível reversão. A parte retirada do canal deve ser exata. Isso é fundamental para o sucesso de uma possível reversão”.

Abrantes esclarece que a reversão da vasectomia é possível, mas é uma cirurgia complexa e a taxa de sucesso cai com o passar dos anos. “Até um ano após a operação a possibilidade de reverter a esterilização é de mais de 90%. 15 anos depois cai para 30% e depois desse período não é aconselhável”.

Cobertura dos planos de saúde

Em 2008, a Agência Nacional de Saúde (ANS) incluiu a vasectomia na lista de procedimentos que devem ser cobertos pelos planos de saúde. Agora, a resolução do Conselho Federal de Medicina também inclui a reversão. “A novidade é que os planos de saúde tem que realizar a reversão e criar centros de planejamento familiar. A vasectomia é uma etapa do planejamento familiar e tem que prever orientação psicológica para o casal, por exemplo”, destaca Nardi.

O que devo levar em consideração antes de fazer uma vasectomia?

Para ter certeza de que quer mesmo fazer uma vasectomia, esteja certo de que no futuro você não vai querer ser pai novamente. Pense se esta decisão não mudaria depois dos seguintes eventos em sua vida:

  • Se você já é pai, caso um de seus filhos falecesse ou mesmo mais do que um, você gostaria de ter um outro filho?
  • E se você se divorciar e perder a guarda de seus filhos?
  • E se você vier a ter uma nova companheira que deseja ter filhos?
  • Caso sua situação financeira melhore, seu desejo de ter mais filhos pode mudar?
  • Quando seus filhos crescerem, possivelmente vão deixar a sua casa. Você gostaria de ter novas crianças suas por lá?

Você não deve ignorar os efeitos psicológicos da impossibilidade de ter filhos. Pense neles. A vasectomia não é habitualmente recomendada a homens que consideram guardar seus espermas em um banco de esperma, caso decidam ter mais filhos futuramente. Converse sobre outros métodos contraceptivos com seu médico, sua parceira e procure muitas informações antes de tomar esta decisão. Tudo deve ser muito bem pensado e planejado.

A vasectomia muda a vida sexual do homem?

O questionamento mais comum no consultório. E a resposta é não. A cirurgia só corta o cordão por onde passam os espermatozoides e mais nada. Inclusive estas mesmas pessoas voltam e contam que seu desempenho sexual melhorou por estarem livres do fantasma de uma gravidez indesejada. A resposta sexual do homem pós vasectomia continua a ser igual a anterior ao procedimento. Não é uma castração como muitos pensam, pois não se mexe nos testículos, não engorda, não caem os pelos do corpo, como muitos outros mitos falsos quando se fala em vasectomia.

A vasectomia não altera a habilidade de um homem ter uma ereção, orgasmo, ejaculação ou prazer sexual. O esperma é apenas uma pequena fração do líquido total do sêmen (2-5%). A quantidade de fluido, intensidade, cor e textura não parecem mudar quando o esperma está ausente. Os hormônios masculinos continuam a ser produzidos e os caracteres sexuais secundários (como voz e barba) não mudam. Alguns casais dizem que sua relação melhora, pois não precisam mais se preocupar com métodos contraceptivos e gravidez não planejada.

As dúvidas mais comuns

O urologista Claudio Murta, coordenador do Centro de Referência de Saúde do Homem de São Paulo, e o Dr. Ravendra Ryan Moniz, especialista do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano de São Paulo explicam as dúvidas mais comuns. Confira:

 – Homens submetidos a esse tipo de tratamento perderão a sua masculinidade

 – Essa afirmação não é realidade, porque não existe nenhuma relação entre a vasectomia e a potência e/ou performance sexual do indivíduo. A vasectomia não causa impotência sexual.

 – Após a cirurgia de vasectomia, o homem não ejacula mais e por isso perde a libido

 – Isso é um mito. O homem continuará a ejacular, mas o líquido seminal não conterá mais espermatozoides. Ainda hoje, esse é um dos principais mitos relacionados à vasectomia, pois dizem que os homens submetidos a esse tipo de tratamento perderão a sua masculinidade ou diminuirão a libido. O homem precisa saber que grande parte do liquido seminal ejaculado vem das vesículas seminais e não dos ductos deferentes. Ou seja, praticamente não ocorrerá mudança na quantidade de liquido ejaculado. Nào existe relação entre vasectomia e diminuição da libido

 – Após fazer a vasectomia, vou sentir dores no pênis ao transar

 – Após o procedimento, geralmente é comum o comentário da percepção de que “foi mexido”, principalmente na região escrotal, mas que não chega a configurar dor. E no momento de uma relação sexual não haverá nenhum tipo de dor peniana, prevalecendo a sensação habitual de prazer.

 – A vasectomia é similar ao procedimento de castração?

 – Mito: a castração é um procedimento utilizado em casos de câncer de próstata e nada tem a ver com a vasectomia. “Na vasectomia, corta-se o canal que leva o espermatozoide para fora. Já na castracão é preciso tirar os testículos e, com isso, não tem mais espermatozoide e o homem para de produzir a testosterona”, explica Murta

 – Após a vasectomia, o órgão sexual diminui de tamanho.

 – Isso é outro receio infundado. O pênis não participa desse processo cirúrgico, por isso não ocorre nenhum corte que possa causar mutilação e muito menos qualquer alteração no tamanho ou na sensibilidade do órgão sexual masculino

 – O câncer de próstata está ligado à vasectomia?

 – Mito: de acordo com Murta, esta era uma preocupação grande quando a cirurgia começou a ser feita, há cerca de 20 anos. Isso porque acreditava-se que, como o espermatozoide continua sendo produzido, poderia se acumular e prejudicar de alguma forma. “Grandes estudos feitos com milhares de homens mostram que essa relação não existe”, completa

 – A cirurgia é dolorida?

 – Mito: Moniz ressalta que a vasectomia é realizada na maior parte das vezes com anestesia local o que gera uma dor leve durante a aplicação do anestésico. Com isso, cada paciente apresenta sensibilidade diferente, mas a maioria considera a dor leve e tolerável. “Pacientes com histórico de maior sensibilidade à dor podem ser submetidos à vasectomia com anestesia local associada à sedação, garantindo que não sentirá absolutamente nada durante a realização do procedimento”, recomenda.

 – A vasectomia afeta a masculinidade do homem ou a ereção?

 – Mito: segundo Moniz, não existe nenhum prejuízo com relação à potência ou desempenho sexual. “O procedimento da vasectomia consiste na interrupção de um canal na bolsa escrotal, muito longe, do ponto de vista anatômico, dos nervos e artérias que são responsáveis pela ereção”. Ele acrescenta que o pênis e os testículos não estão diretamente envolvidos no procedimento e, por isso, não há interferência no prazer sexual.

 – A vasectomia é irreversível?

 – Mito: “Existe um procedimento, chamado de vaso-vasostomia que reverte o procedimento. Porém, essa cirurgia tem certas limitações em relação ao reestabelecimento da fertilidade”, informa o urologista Gustavo de Alarcon, do Hospital e Maternidade São Luiz.

Murta reforça que o homem que reverte a cirurgia em até dez anos após o procedimento tem mais chances de sucesso na tentativa de ter mais filhos. “Depois desse período, a chance é pequena porque o canal por onde sai o espermatozoide acaba entupindo”, afirma.

 – Após a cirurgia, ainda há risco de gravidez?

 – Verdade: imediatamente após a cirurgia esse risco existe sim, de acordo com os especialistas ouvidos. “O paciente pode voltar a ter relações sexuais cerca de sete dias após a vasectomia. Mas vale lembrar que é importante manter um método anticoncepcional até a liberação do seu urologista, pois após o procedimento alguns espermatozoides podem permanecer vivos no canal deferente que chega ao pênis. Entre 30 e 60 dias depois da cirurgia deve-se realizar um espermograma para constatar a ausência dos espermatozoides e o sucesso do procedimento”, explica Moniz.

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Fontes: por Samantha Cerquetani / VivaSaúde / abc.med.br / Rede Brasil Atual / saúde

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