O mal de Alzheimer, também conhecida como a doença de Alzheimer é considerado a forma mais comum de demência. Trata-se de uma doença cerebral crônica e progressiva que destrói e danifica células do cérebro, afetando a memória, o pensamento e outras funções. Qualquer pessoa que convive com quem tem Alzheimer sabe que é uma doença cruel, pois o portador de forma gradativa, vai perdendo a memória, sua identidade, suas funções intelectuais e sua capacidade de se relacionar com mundo.

Ainda hoje, apesar das inumeráveis pesquisas, não há cura para a doença, que se agrava a medida que progride e eventualmente leva à morte. O Alzheimer se desenvolve gradualmente na medida em que as células cerebrais morrem. Ao longo do tempo o cérebro encolhe drasticamente, afetando todas as suas funções. O cérebro de um paciente, quando visto em necrópsia, apresenta uma atrofia generalizada. Qualquer pessoa pode desenvolver a doença, independente de sexo, credo, cultura ou condição sócio-econômica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem atualmente cerca de 18 milhões de pessoas no mundo com doença de Alzheimer. Em 2025, o número chegará a 34 milhões. Devido ao aumento da expectativa de vida da população, o número de doentes será maior nos países em desenvolvimento.

A doença pode ocorrer em qualquer etapa da vida. Entretanto, a incidência aumenta com o avanço da idade. Assim, ela ocorre muito raramente entre os 40 e 50 anos, aumenta entre 60 e 65 anos e torna-se mais comum a partir dos 80 anos. “Trata-se de uma doença neurodegenerativa progressiva relacionada ou devido a deposição anormal de uma proteína chamada Beta amiloide que se encontra aumentada no cérebro dos pacientes (formando as placas senis), em algumas regiões específicas do cérebro principalmente responsáveis pela memória, bem como a formação de emaranhados no interior de alguns neurônios (emaranhados neurofibrilares relacionados à proteína Tau). Os sintomas iniciais estão relacionados a déficit cognitivo progressivo, sobretudo a memória recente, bem como distúrbio de comportamento e quadros depressivos em pacientes idosos (acima dos 65  anos de idade)”, descreve o Dr. Maro Aurélio Santos, médico neurologista e eletroencefalografista. No início da doença, a perda das células ocorre principalmente nas áreas responsáveis pela memória e funções executivas. Em seguida outras regiões são afetadas, comprometendo gradativamente a mente do paciente. O único fator de risco inquestionável até hoje sobre o Alzheimer é a idade. O que mais se sabe sobre essa doença devastadora é que o genes desempenham um papel importante em seu desenvolvimento. Daí a ideia de que se trata de uma doença genética, o que significa que quem tem um parente próximo com a doença tem maior chance de desenvolvê-la.

Muitos outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como o uso de medicamentos, ingestão de substâncias tóxicas, exposição à radiação, estilo de vida, ambiente, estresse, depressão, etc.

O Alzheimer é uma doença cerebral degenerativa que se caracteriza pela perda da memória associada à deterioração das funções intelectuais, emocionais e cognitivas. Suas causas, apesar dos estudos realizados nas últimas décadas, ainda são desconhecidas.

Histórico

O mal de Alzheimer foi descrito pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem acabou herdando o nome. Segundo o neurologista Ivan Hideyo Okamoto, em “Alzheimer: histórico da doença”, o médico nascido em 1864, apresentou em seu artigo “A Characteristic Serious Discase of the Cerebral Córtex”, as descobertas clínicas e anatomopatológicas de um caso peculiar. A paciente Auguste D. apresentou, aos 51 anos, ciúmes delirantes em relação ao marido. Em seguida, instalaram-se outros sintomas como alterações de linguagens e memória, desorientação no tempo e espaço, com piora gradativa. A paciente faleceu quatro anos e meio depois do início dos primeiros sintomas, em estado avançado de demência.

Alois Alzheimer, em um anatomopatológico, observou acúmulo de placas no espaço extracelular (placas senis) e lesões neurofilamentares no interior de neurônios, distribuída difusamente pelo córtex cerebral. Tratava~se de um tipo de degeneração dos neurônios (células cerebrais), que se apresentavam atrofiados e com fibras retorcidas em diversas regiões do cérebro. Em  1912, o professor de psiquiatria alemão E. Kraepelin fez pela primeira vez menção, em seu Compêndio de Psiquiatria, da doença descrita por Alzheimer. Desde então, o epônimo (palavra formada a partir do nome de uma pessoa real) doença de Alzheimer passou a ser utilizado para os casos de demência que apresentavam características clínicas e neuropatológicas semelhantes à paciente estudada.

Diagnóstico

Um profissional especializado pode diagnosticar a doença de Alzheimer com 90% de precisão. Os mais indicados são: os neurologistas, os psiquiatras e os psicólogos.

Para o diagnóstico da doença, além da entrevista médica, são utilizados testes que avaliam as respostas física, comportamental e emocional do indivíduo. Solicita-se também exames complementares de sangue urina e de imagem cerebral.

O uso da tomografia ou ressonância nuclear magnética de crânio exclui a possibilidade de múltiplas isquemias, hemorragias ou tumores. As imagens podem revelar alterações típicas da doença como a acentuação do lobo temporal médio e do hipocampo.

“A prevalência da doença de Alzheimer aumenta com a idade, sendo de cerca de 1% antes dos 65 anos de idade, aumentando rapidamente para 5% a 10% após os 65 anos e chegando a 30% a 40% após os 85 anos de idade, explicando porque sua tendência é de aumento em todo o mundo uma vez que existe aumento constante da expectativa de vida”, descreve Dr. Macedo.

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Medicamentos

Infelizmente não existe ainda nenhuma medicação  rápida e miraculosa para a doença de Alzheimer. Portanto, mesmo que um tratamento não apresente melhora nos sintomas, quando ele evita o avanço da doença deve ser considerado benéfico ao paciente. Existem dois tipos de medicamentos: os que atuam especificamente sobre a doença e os que atuam sobre suas complicações, como por exemplo, as alterações de comportamento.

De acordo com Dr. Macedo, os primeiros estudos neuroquímicos ligados à doença de Alzheimer observaram que havia um déficit do neurotransmissor Acetil Colina, o que poderia estar relacionado ao déficit da memória. Desde meados da década de 1990 tem surgido medicamentos conhecidos como inibidores da colinesterase (enzima que degrada a Acetil Colina), que tem como função aumentar a quantidade de Acetil Colina nas sinapses neuronais (diminuídas  pela morte de neurônios produtores de Acetil Colina). Assim, surgiram inicialmente a tacrina, após o donepezil, rivastigmina, galantamina. . Atualmente, os estudos laboratoriais e farmacológicos estão voltados para a proteína Beta Amiloide que, segundo alguns autores, estaria relacionada diretamente como causadora ou iniciante da demência de Alzheimer. Muito tem se estudado e observado em estudo de neuroimagem (principalmente os estudos de Ressonância Magnética Funcional ou de tomografia por emissão de pósitron). Embora existam vários estudos em andamento e vários tratamentos realizados, o mal de Alzheimer ainda é considerado uma doença incurável e progressiva que leva à morte.”

Os medicamentos usados para as alterações de comportamento devem ser adotados com cuidado. Alguns, que controlam a agitação, podem piorar a confusão mental do paciente, provocando inclusive dificuldades para caminhar ou engolir.

Tratamento cotidiano

O tratamento da doença de Alzheimer tem como objetivo o controle dos sintomas mais desagradáveis e, nesse contexto, requer o treinamento dos familiares e das pessoas próximas para lidar com o portador da doença. A grande arma dos familiares do paciente é procurar estudar e conhecer profundamente a doença.É muito importante, antes de qualquer coisa, ter consciência de que o doente necessita de atenção constante e permanente devido às características degenerativas do Alzheimer. O seu desenvolvimento faz com que o portador deixe de ter consciência dos seus atos e do que fala. Neste sentido, a família deve estar preparada para ouvir coisas ou lidar com situações desagradáveis, lembrando sempre que o doente não tem domínio consciente sobre o que faz.

Muitas vezes os familiares que convivem diariamente com portadores de Alzheimer precisam de cuidados médicos, devido ao desgaste que sofrem no dia a dia. É muito difícil para qualquer pessoa conviver com a evolução da doença degenerativa de uma pessoa querida, pois a impressão que se tem é de que ela está gradativamente deixando de existir.

Diante destes fatos, muitos médicos e pesquisadores recomendam que os cuidadores dos pacientes frequentem grupos de ajuda, onde é possível trocar experiências e ter apoio emocional para as experiências vivenciadas. No tratamento do tratamento do paciente, recomenda-se a criação de um plano de cuidados gerais, que deve incluir o seu monitoramento cotidiano e visitas regulares ao médico para o controle da doença ou outros problemas de saúde.

O ambiente onde ele vive deve ser livre de prováveis situações de risco para uma pessoa com confusão mental como iluminação, escadas, eletrodomésticos, etc. É muito comum, por exemplo, o paciente deixar o fogão ou o ferro de passar ligado, ou a geladeira aberta. Devido aos cuidados esmerados com o paciente, algumas famílias decidem que ele deve morar por tempos determinado na casa de cada filho, por exemplo. Embora esta opção seja uma forma de não sobrecarregar a família, esta situação pode agravar o seu estado, pois ele se sentirá mais desorientado. Em suas atividades rotineiras, o paciente deve ser sempre estimulado a fazer o máximo por conta própria, mas é importante que tenha ao seu lado alguém que o auxilie quando necessário. Escolher uma roupa pra vestir, tomar banho, escovar os dentes, ir ao banheiro, alimentar-se, por exemplo, são atividades que, com o tempo, vão se tornando difíceis de serem executadas.

Exercícios regulares, como caminhadas, também são importantes para os portadores de Alzheimer. Segundo a professora de educação física Angélica Costa, pós-graduada em Condicionamento Físico e Saúde no Envelhecimento pela Universidade Gama Filho, “a prática de exercícios nos portadores de doença de Alzheimer, em conformidade com as necessidades pessoais de cada doente, colabora com a diminuição do avanço da doença, prolongando sua independência. As atividades físicas favorecem a autoconfiança, o autocontrole e a interação social, além de melhorar o fluxo sanguíneo e o transporte de oxigênio para o cérebro. Com os exercícios há normalização da produção e transmissão de neurotransmissores, principalmente de serotonina, dopamina e noradrenalina, minimizando os transtornos depressivos comuns da doença”.

Prevenção

O mal de Alzheimer não pode ser evitado; assim, prevenir a doença, na verdade, significa reduzir os fatores de risco. Existem muitos estudos e teorias que indicam ações que podem minimizar o desenvolvimento da doença:

  • As estratégias incluem a interação social que estimula partes do cérebro que não são usadas quando estamos isolados;
  • A nutrição que deve ser rica em vegetais, frutas e alimentos ricos na gordura ômega-3;
  • Atividades físicas regulares que auxiliam a manter a circulação sanguínea saudável em todo o organismo, incluindo o cérebro;
  • Exercícios mentais que mantém o cérebro ativo como a leitura, a solução de palavras cruzadas, etc.;
  • Manutenção da saúde em geral.

Pesquisas indicam que o nível de instrução aparentemente serve de proteção contra o Alzheimer. Estudiosos do Hospital Saint Michael, no Canadá, descobriram, por exemplo, que pessoas que falam mais de uma língua tem menos chances de desenvolver a doença. Para o Dr.Schweizer, encarregado da pesquisa, a explicação está no fato de que as pessoas bilíngues estão constantemente usando seu cérebro, o que pode contribuir para a sua saúde. É por isso que muitos médicos encorajam as pessoas mais velhas a ler ou fazer palavras cruzadas.

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Veja o vídeo

Este vídeo nos dá uma amostra de como quem sofre de Alzheimer pode se comportar. Veja:

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Fonte: por Ana Elizabeth Cavalcante / Psicanálise – Grandes temas do conhecimento.

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