Para crescer forte, a criança precisa comer, no tempo certo, um pouco de tudo. A alimentação da meninada às vezes parece um assunto complicado, capaz até de gerar briga em família. Por isso será importante ler os dez passos da alimentação saudável para as crianças. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, referentes aos anos de 2008 e 2009, indicam que nos últimos 20 anos, os casos de obesidade infantil mais do que quadruplicaram entre crianças de 5 e 9 anos, chegando a aproximadamente 17% entre os meninos e 12%, entre as meninas. O problema é um dos que cresce mais rapidamente no Brasil. Cenário agravado por mudanças nos hábitos alimentares, ampla e irrestrita oferta de produtos hipercalóricos e menos atividades físicas nas horas de lazer preocupa médicos e nutricionistas que lidam com a questão.

Para a nutricionista Kézia Mendes Prata, para desfrutar de uma vida saudável, é importante que o indivíduo mantenha uma alimentação equilibrada desde a infância. “É comum as crianças encontrarem dificuldades para fazer as refeições, isso porque elas não apreciam o gosto dos alimentos que são realmente saudáveis. Contudo, é preciso encarar o desafio e priorizar os bons hábitos alimentares do seu filho”, revela. Ela explica que a dieta de uma criança necessita de um planejamento especial. “As necessidades de energia e nutrientes fundamentais são elevadas, mas o apetite é reduzido e os hábitos alimentares inconstantes. Por isso, a alimentação das crianças deve ser constituída por refeições pequenas e frequentes, desde que ricas em nutrientes essenciais”, completa.

A especialista explica que nos primeiros anos de vida é importante deixar a criança ter contato com o alimento, ou seja, ela precisa tocar, brincar, experimentar os alimentos, para que assim possa criar um vínculo com o mesmo. “Ter horários para as refeições é importantíssimo para se evitar que as crianças consumam bobagens. Substitua os alimentos de baixo valor nutricional por outros que possuam uma maior quantidade de nutrientes, melhorando o sabor com novas receitas. A criatividade da mãe é fator fundamental para que as crianças tenham o hábito de uma alimentação saudável. Ofereça três refeições e mais dois ou três lanchinhos nutritivos”.

Uma outra questão apontada pela nutricionista Kézia Mendes e que influencia muito na aprendizagem alimentar é a paciência de quem cuida da criança. “Torne as refeições interessantes e divertidas e não use a sobremesa como prêmio por comer a parte salgada da refeição. Em tese, isso dá valor demais ao doce, o que causaria problemas no futuro. A criança também pode pensar: essa comida é tão ruim que até ganho um doce depois. Para que a criança sinta vontade de comer o que está sendo proposto, aparência é essencial, por isso, capriche na preparação. Não é preciso ter dinheiro para fazer pratos caros, basta ter criatividade”, esclarece a especialista.

Os dez passos da alimentação saudável para crianças brasileiras menores de dois anos

Passo  – Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimento. O leite materno contém tudo o que a criança necessita até os 6 meses de idade, inclusive água, além de proteger contra infecções. A criança que recebe outros alimentos além do leite materno antes dos seis meses, principalmente através de mamadeira, incluindo água e chás, pode adoecer mais e ficar desnutrida.

O que a mãe deve saber

Para que o aleitamento materno exclusivo seja bem sucedido é importante que, além da mãe estar motivada, o profissional de saúde saiba orientá-la e apresentar propostas para resolver os problemas mais comuns enfrentados por ela durante a amamentação. Porque as mães oferecem chás, água ou outro alimento? Porque acham que a criança está com sede; para diminuir as cólicas; para acalmá-la a fim de que durma mais, ou porque pensam que seu leite é fraco ou pouco e não está sustentando adequadamente a criança. Nesse caso, é necessário admitir que as mães não estão tranquilas quanto a sua capacidade para amamentar. É preciso orientá-las:

  • que o leite dos primeiros dias pós-parto, chamado de colostro, é produzido em pequena quantidade, e é o leite ideal nos primeiros dias de vida, principalmente se o bebê for prematuro, pelo seu alto teor de proteínas.
  • que o leite materno contém tudo o que o bebê necessita até o 6 º mês de vida, inclusive água. Assim, a oferta de chás e água é desnecessária, e pode prejudicar a sucção do bebê, fazendo com que este mame menos leite materno, pois o volume desses líquidos irá substituí-lo. Esses representam um meio de contaminação que pode aumentar o risco de doenças. A oferta desses líquidos em chuquinhas ou mamadeiras faz com que o bebê engula mais ar (aerofagia) propiciando desconforto abdominal pela formação de gases, e consequentemente, cólicas no bebê. Além disso, instala-se a confusão de bicos na hora de mamar no peito, dificultando a pega correta da mama pelo bebê.
  • A pega errada vai prejudicar o esvaziamento total da mama, impedindo que o bebê mame o leite posterior (leite do final da mamada) que é rico em gordura, diminuindo a saciedade e encurtando os intervalos entre as mamadas. Assim, a mãe pode pensar que seu leite é insuficiente e fraco. Esses intervalos mais curtos entre as mamadas levam ao aumento da fermentação da lactose (açúcar do leite), agravando as cólicas do bebê. A mãe não deve sentir dor, se isso estiver ocorrendo, significa que a pega está errada.
  • Se as mamas não são esvaziadas de modo adequado ficam ingurgitadas, o que pode diminuir a produção de leite. Isso ocorre devido ao aumento da concentração de substâncias inibidoras da produção de leite.
  • A mãe que amamenta deve beber no mínimo, um litro de água pura diariamente e estimular o bebê a sugar corretamente e com mais frequência (inclusive durante a noite).
  • O tempo para esvaziamento da mama, depende de cada bebê; há aquele que consegue fazê-lo em poucos minutos e aquele que o faz em trinta minutos ou mais.

Passo  – A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. A partir dos seis meses, o organismo da criança já está preparado para receber alimentos diferentes do leite materno, que são chamados de alimentos complementares(cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes)três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.. Mesmo recebendo outros alimentos, a criança deve continuar a mamar no peito até os dois anos ou mais, pois o leite materno continua alimentando a criança e protegendo-a contra doenças. Com a introdução da alimentação complementar, é importante que a criança receba água nos intervalos das refeições. Algumas crianças precisam ser estimuladas a comer (nunca forçadas).

Sugestões para as Diferentes Combinações de Papas Salgadas

  • Batata + couve + peixe
  • Aipim/mandioca + quiabo + frango desfiado
  • Macarrão + Vagem + (Picadinha ou frango desfiado)
  • Batata doce + abobrinha + miúdos de frango
  • Arroz + lentilha + tomate
  • Batata baroa + abóbora + bredo + fígado moído
  • Mingau de fubá + folha verde picadinha + carne moída
  • Arroz + feijão amassado + cenoura
  • Inhame + beterraba + fígado de boi
  • Farinha de mandioca + folhas verdes + carne moída

Passo  – Coma junto com seu filho sempre que conseguir, e coma os alimentos que gostaria que ele comesse. Crianças precisam experimentar para aprender a comer novos alimentos, e o melhor incentivo é ver outras pessoas comendo. Faça comentários sobre a comida durante a refeição: “Nossa, isso está uma delícia”, ou “Humm, purê de batata com carne moída é uma das minhas comidas favoritas”.

Passo   A alimentação complementar deve ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança. Crianças amamentadas no peito em livre demanda desenvolvem muito cedo a capacidade de autocontrole sobre a ingestão de alimentos, aprendendo a distinguir as sensações de saciedade após as refeições e de fome após o jejum (período sem oferta de alimentos). Esquemas rígidos de alimentação interferem nesse processo de auto controle pela criança. Este aprendizado precoce é fundamental na formação das diferenças nos estilos de controle de ingestão de alimentos nos primeiros anos de vida; O tamanho da refeição está relacionado positivamente com os intervalos entre as refeições (grandes refeições estão associadas a longos intervalos e vice-versa). É importante que as mães desenvolvam a sensibilidade para distinguir o desconforto do bebê por fome de outros tipos de desconforto (sono, frio, calor, fraldas molhadas ou sujas, dor, necessidade de carinho), para que elas não insistam em oferecer alimentos à criança quando esta não tem fome. Sugere-se, sem esquema rígido de horário, que, para as crianças em aleitamento materno, sejam oferecidas três refeições complementares, uma no período da manhã, uma no horário do almoço e outra no final da tarde ou no início da noite. Para as crianças já desmamadas, devem ser oferecidas três refeições mais dois lanches, assim distribuídos: no período da manhã (desjejum), meio da manhã (lanche), almoço, meio da tarde (segundo lanche), final da tarde ou início da noite (jantar).

Passo  – A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar com consistência pastosa (papas /purês) e, gradativamente, aumentar a sua consistência até chegar à alimentação da família. No início da alimentação complementar, os alimentos oferecidos à criança devem ser preparados especialmente para ela, sob a forma de papas/purês de legumes/cereais/frutas. São os chamados alimentos de transição. A partir dos oito meses, podem ser oferecidos os mesmos alimentos preparados para a família, desde que amassados, desfiados, picados ou cortados em pedaços pequenos. As dietas, quanto mais espessas e consistentes apresentam maior densidade energética (caloria/grama de alimento) do que as dietas diluídas, do tipo sucos e sopas ralas. Deve-se evitar o uso da mamadeira, pois a mesma pode atrapalhar a amamentação e é importante fonte de contaminação e transmissão de doenças. Recomenda-se o uso de copos (copinhos) para oferecer água ou outros líquidos e dar os alimentos semi-sólidos e sólidos no prato e com a colher.

Recomendações Para a Papa Salgada

a) Cozinhar bem todos os alimentos, para deixá-los bem macios.

b) Amassar com garfo, não liquidificar e não passar na peneira.

c) A papa deve ficar consistente, em forma de purê grosso.

Passo   Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida. Desde cedo a criança deve acostumar-se a comer alimentos variados. Só uma alimentação variada evita a monotonia da dieta e garante a quantidade de ferro e vitaminas que a criança necessita, mantendo uma boa saúde e crescimento adequados. O ferro dos alimentos é melhor absorvido quando a criança recebe, na mesma refeição, carne e frutas ricas em vitamina C. A formação dos hábitos alimentares é muito importante e começa muito cedo. É comum a criança aceitar novos alimentos apenas após algumas tentativas e não nas primeiras. O que pode parecer rejeição aos novos alimentos é resultado do processo natural da criança em conhecer novos sabores e texturas e da própria evolução da maturação dos reflexos da criança. Os alimentos devem ser oferecidos separadamente, para que a criança aprenda a identificar as suas cores e sabores. Colocar as porções de cada alimento no prato, sem misturá-las.

Passo  –   Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições. As crianças devem acostumar-se a comer frutas, verduras e legumes desde cedo, pois esses alimentos são importantes fontes de vitaminas, cálcio, ferro e fibras. Para temperar os alimentos, recomenda-se o uso de cebola, alho, óleo, pouco sal e ervas (salsinha, cebolinha, coentro).

Passo  – Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação. Açúcar, sal e frituras devem ser consumidos com moderação, pois o seu excesso pode trazer problemas de saúde no futuro. O açúcar somente deve ser usado na alimentação da criança após um ano de idade. Esses alimentos não são bons para a nutrição da criança e competem com alimentos mais nutritivos. Deve-se evitar alimentos muito condimentados (pimenta, mostarda, “catchup”, temperos industrializados).

Passo  – Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados. Para uma alimentação saudável, deve-se usar alimentos frescos, maduros e em bom estado de conservação. Os alimentos oferecidos às crianças devem ser preparados pouco antes do consumo; nunca oferecer restos de uma refeição. Para evitar a contaminação dos alimentos e a transmissão de doenças, a pessoa responsável pelo preparo das refeições deve lavar bem as mãos e os alimentos que serão consumidos, assim como os utensílios onde serão preparados e servidos. Os alimentos devem ser guardados em local fresco e protegidos de insetos e outros animais. Restos de refeições que a criança recusou não devem ser oferecidos novamente.

Passo    Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação. As crianças doentes, em geral, têm menos apetite. Por isso, devem ser estimuladas a se alimentar, sem, no entanto, serem forçadas a comer. Para garantir uma melhor nutrição e hidratação da criança doente, aconselha-se oferecer os alimentos de sua preferência, sob a forma que a criança melhor aceite, e aumentar a oferta de líquidos. Para a criança com pouco apetite, oferecer um volume menor de alimentos por refeição e aumentar a freqüência de oferta de refeições ao dia. Para que a criança doente alimente-se melhor, é importante sentar-se ao lado dela na hora da refeição e ser mais flexível com horários e regras. No período de convalescença, o apetite da criança encontra-se aumentado. Por isso, recomenda-se aumentar a oferta de alimentos nesse período, acrescentando pelo menos mais uma refeição nas 24 horas. Enquanto a criança come com sua própria colher, a pessoa responsável pela sua alimentação deve ir oferecendo-lhe alimentos com o uso de outra.

Outras dicas infalíveis

Nos primeiros anos de vida é importante deixar a criança ter contato com o alimento, ou seja, ela precisa tocar, brincar, experimentar os alimentos, para que assim possa criar um vínculo com o mesmo. Aos poucos começam a surgir as preferências alimentares. E além de oferecer estes alimentos que a criança mais gosta e pede, é importante também oferecer os demais alimentos, para que a criança entenda que os alimentos que ela não gosta também são importantes.

Não force a criança a comer, mas não deixe de oferecer, mesmo que a criança recuse. Em algum momento ela pode ceder.Para que a criança sinta vontade de comer o que está sendo proposto, aparência é essencial.

Outro ponto fundamental é a sua postura em relação aos alimentos, isso mesmo, você! A maneira como os pais se comportam é essencial. Pais que não gostam de verduras e legumes e que fazem caretas para saladas, reclamam quando o alimento está à mesa, dão o exemplo aos filhos. Portanto, é importante os pais mudarem também seus hábitos alimentares e ingerirem comidas saudáveis. A criança é um espelho dos pais.

Estipular horários para comer também é necessário, assim a criança aprende que existem horários para realizar as refeições, que não é correto “beliscar”, comer fora de hora, etc.

Quando a criança já cresceu um pouco mais e tem condições de fazer o prato sozinha, ensine que é importante ter um alimento de cada grupo alimentar no prato para que ela tenha uma refeição saudável.

Para que a criança sinta vontade de comer o que está sendo proposto, aparência é essencial, por isso, capriche na preparação! Harmonia é algo imprescindível, escolha alimentos com cores diferentes, exemplo: Se você fez arroz, feijão, frango, escolha para salada verduras e legumes com cores diferentes, pode ser uma salada de alface, cenoura e beterraba, assim ficará um prato colorido. Utilize ervas aromáticas (salsa, manjericão, manjerona, cebolinha, etc), tomate, azeitona, ovo e outros alimentos para enfeitar as saladas, deixando-as apetitosas.

O lanche para a escola também é importante, assim como nas outras refeições, procure mandar alimentos saudáveis e de acordo com gosto do seu filho, como: fruta, suco de fruta, biscoitos de água e sal, maisena, barra de cereais, iogurte, pão com queijo, bisnaguinha com geleia, etc.

Sobre as guloseimas, moderação é a palavra chave. Desde que na quantidade e freqüência certas, não proíba nada, apenas estipule limites. Balas, chicletes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacotes, doces em geral, de vez em quando, com moderação, não prejudica.

Cuidados na adolescência

É preciso força de vontade e persistência para conscientizar o adolescente a ter uma alimentação balanceada nesta fase e assim prevenir determinadas doenças crônicas na fase adulta. Ajude o seu filho a entender que daqui por diante ele terá que escolher o que é melhor para si e por isso, tem que aprender a comer de forma equilibrada.

Nesta faixa etária encontramos os seguintes problemas: muitos não fazem o café da manhã, os lanches estão sempre presentes, o refrigerante é consumido com muita frequência e em quantidade excessiva, o consumo de alimentos industrializados também aumenta, entre outros.

Além da conscietização que falamos a pouco, é importante que dentro de casa você continue oferecendo tudo como antes, ou seja, prepare todas as refeições, faça pratos equilibrados, estipule limites no cosumo de refrigerantes, industrializados e frituras. Com relação aos lanches, é possível oferecer um lanche saudável e diferente todos os dias, basta que tenha ingredientes nutritivos.

Exemplo: No lanche é importante ter pelo menos 1 alimento de cada grupo alimentar, carboidrato (pão), proteína (queijo, frios, carne), verduras e legumes. Não esqueça da fruta de sobremesa ou suco de fruta natural.

Também é necessário ficar atento as recomendações de alguns nutrientes que são aumentadas nesta fase, como o cálcio, ferro e zinco. Podemos citar as seguintes fontes alimentares destes minerais: cálcio (leite e derivados), ferro (carnes, ovos, leguminosas, vegetais de folha verde escura), zinco (frutos do mar e carnes em geral).

Cuidados na fase adulta

Se os seus filhos adquiriram bons hábitos alimentares na infância e adolescência, basta que eles mantenham estes hábitos nesta fase. Talvez você nem esteja tão presente como nas outras fases, mas se você tiver desempenhado seu papel de ensinar a comer de forma equilibrada, as chances destes hábitos permanecerem serão bem maiores.

Que tipo de comida devo dar ao meu filho?

Dê a ele, todo dia, alimentos de todos os grupos alimentares:

 – Carboidratos

Os carboidratos são os responsáveis por dar energia ao organismo, e precisam ser oferecidos à criança em todas as refeições, e às vezes no lanche. Alguns exemplos: macarrão, arroz, batata, mandioca, cereais matinais e todos os alimentos feitos com farinha, como pães, bolos e bolachas.

 – Frutas, verduras e legumes

Pode ser que demore um pouco para a criança se acostumar às verduras. Tente oferecê-las em todas as refeições para que seu filho perceba que elas fazem parte do cotidiano alimentar da família. As frutas já são bem mais aceitas: ofereça-as também em pedacinhos para que seu filho coma sozinho. Elas são ótimos ingredientes para sobremesas e para bolos caseiros, que podem ser servidos de lanche.

 – Alimentos ricos em ferro e proteína

São eles: carne, frango, peixe, ovos e leguminosas (como feijão, grão-de-bico, ervilha e lentilha). Devem ser oferecidos em uma ou duas refeições por dia. Corte a carne bem pequenininha se seu filho tem dificuldade de mastigar. Prefira cortes com menos gordura. O fígado é uma das maiores fontes de ferro.

No caso de alimentos industrializados, tais como hambúrgueres, almôndegas ou frango empanado, verifique na embalagem não só a quantidade de gordura mas também a de sódio. Sódio demais é prejudicial, e esse tipo de alimento costuma exagerar na dose.

Famílias vegetarianas devem reforçar o consumo de grãos, ovos e castanhas, consumindo-os em duas ou três refeições por dia, para obter a quantidade necessária de ferro. Se há alguém alérgico na sua família, é aconselhável esperar até a criança ter 2 ou 3 anos para dar castanhas (amêndoas, nozes, amendoim etc.). O ferro é mais bem absorvido quando consumido junto com a vitamina C. Por isso, um bifinho de fígado com suco de laranja é uma grande pedida.

 – Leite, queijo e iogurte

Ofereça leite e derivados ao seu filho mais ou menos três vezes ao dia. Os derivados de leite garantem o cálcio necessário para o crescimento dos ossos, mas têm pouquíssimo ferro. Entre 1 e 3 anos, as crianças precisam de menos leite do que antes do primeiro aniversário.

O total do dia pode ser de cerca de 350 ml. Por isso, não dê mamadeiras cheias. Faça um esforço para dar menos quantidade — a transição para o copo facilita. O problema de tomar muito leite é que não vai sobrar muito apetite para os outros alimentos, principalmente os ricos em ferro.

Se você estiver amamentando, continue. Caso já tenha desmamado seu filho, a partir de 1 ano não será mais necessário usar fórmulas especiais — você pode dar o leite comum, do supermercado. A orientação dos especialistas é que crianças tomem leite integral (tipo A) até os 2 anos de idade. Depois disso, é possível passar para o tipo semidesnatado ou leite tipo B, desde que ela esteja se alimentando e se desenvolvendo bem. Nunca dê leite desnatado, light ou tipo C para seu filho, até ele ter pelo menos 5 anos, exceto sob orientação expressa do pediatra.

Existem fórmulas em pó que contêm leite integral e são fortificadas com ferro e vitamina. Você pode optar, junto com o pediatra, em dar uma dessas fórmulas, se seu filho não se alimentar muito bem. Nessa idade, não é incomum que crianças acabem ficando com um pouco de anemia por deficiência de ferro.

E para beber?

Ofereça entre seis e oito copos pequenos de bebida durante o dia — um junto com cada refeição e cada lanchinho. Pode ser que ele precisa beber mais nos intervalos, principalmente em dias quentes ou se estiver fazendo bastante atividade física. Nessa idade, a desidratação ainda acontece bem rápido.

Vá tentando eliminar as mamadeiras, trocando-as por copos comuns ou com tampa. A mamadeira faz com que a criança demore mais para beber e aumenta a exposição dos dentes aos açúcares das bebidas (até do leite puro), o que pode causar cáries ou corrosão do esmalte dos dentes. Mas você pode manter a amamentação sem problemas. Para facilitar sua vida, uma dica é estabelecer horários mais ou menos fixos para a mamada (ao acordar e antes de dormir, por exemplo).

Entre as refeições, prefira dar água ou leite. Água de coco também é uma boa opção. Guarde o suco de fruta para as refeições maiores, e escove os dentes da criança depois, pois a acidez das frutas pode ser prejudicial. Sucos industrializados contêm bastante açúcar e podem “roubar” o apetite do seu filho, além de ruim para os dentes. Tente diluir um pouco esse tipo de suco, misturando-o com água sempre que possível.

Há algum tipo de comida que devo evitar ou limitar?

Alimentos gordurosos ou com muito açúcar são úteis porque dão bastante energia à criança, mas devem ser oferecidos em quantidades pequenas. Entre eles estão manteiga, margarina, óleo, bolachas recheadas, sorvete. A gordura trans é ainda mais prejudicial, segundo os médicos. Evite.

Se seu filho não é lá muito ativo, você pode pensar em limitar ainda mais os alimentos gordurosos, para que ele não fique acima do peso.

Doces e chocolates podem ser dados de vez em quando, em ocasiões especiais, mas prejudicam os dentes se forem consumidos com frequência entre as refeições. Também tiram o apetite da criança, que deixa de comer outros alimentos mais saudáveis.

Comida muito salgada. O excesso de sódio não faz bem, e sal é questão de costume. Se você acostumar seu filho com muito sal, ele vai gostar de comida salgada o resto da vida. Existem alguns alimentos muito carregados em sódio. Veja a seguir algumas dicas:

  • Salgadinhos: dê no máximo uma vez por semana.
  • Não acrescente sal à comida na mesa.
  • Use outros temperos além do sal para dar sabor à comida.
  • Cuidado com alimentos industrializados, como caldos prontos, sopas de saquinho, congelados e temperos. Observe a embalagem e verifique o número em porcentagem. Se o número relativo ao sódio for muito maior que todos outros, o alimento provavelmente tem sódio demais e deve ser dado em pequenas quantidades.
  • Peixes gordurosos, como sardinha, salmão, truta e atum fresco, são uma ótima fonte de ômega 3 e vitaminas A e D, mas não devem ser oferecidos mais que duas vezes por semana para crianças entre 1 e 3 anos de idade, por conterem toxinas que podem se acumular no corpo.
  • Nozes e castanhas: crianças que tenham familiares que sofram de asma, dermatite ou alergias alimentares devem esperar, por precaução, até os 2 ou 3 anos para experimentar amendoim, pasta de amendoim, amêndoas, nozes, avelãs. Há certa controvérsia sobre se essa medida reduz o aparecimento da alergia, mas pelo menos a criança já é maior e pode se expressar melhor em caso de reação. Em dúvida, converse com seu pediatra.
  • Adoçantes: embora eles tenham sido testados, é melhor evitar seu uso, quando possível, em crianças pequenas, por precaução. Evite sucos ou refrigerantes tipo diet e light.

Existem alimentos que fazem mal?

  • Ovos crus e frutos do mar podem causar intoxicação alimentar em crianças pequenas, porque a imunidade delas é menor. Prefira dar ovos bem cozidos, com a gema dura, e evite sobremesas, como mousses, que usem claras cruas.
  • Alguns tipos de peixes grandes, como cação e tubarão, não devem ser consumidos por crianças, porque acumulam substâncias tóxicas como o mercúrio.
  • Castanhas e amendoins inteiros não devem ser dados antes dos 5 anos por risco de a criança engasgar. É preciso tomar cuidado também com o milho não-estourado da pipoca.
  • Chá e café devem ser evitados porque reduzem a absorção de ferro dos alimentos.

Preciso dar vitamina ao meu filho?

A suplementação com vitamina A e D e com ferro deve ser decidida pelo pediatra caso a caso, levando em conta a alimentação da criança e até a região do país em que ela vive. O Ministério da Saúde recomenda a suplementação com ferro até no mínimo os 18 meses, ou seja, 1 ano e meio, para evitar a anemia.

As farinhas de trigo e de milho no Brasil já são enriquecidas por lei, e há vários outros produtos industrializados ricos em vitaminas e ferro, como as fórmulas infantis, cereais matinais, alguns leites longa-vida etc. Se seu pediatra é particular ou de convênio, converse com ele sobre a necessidade da suplementação com vitamina e ferro.

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Fontes: BabyCenter/JMOnline/Guia alimentação infantil

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